Por Chico Ribeiro
Neto*
Tem um rapaz que fica numa sinaleira da Avenida Garibaldi, perto
da Ademar de Barros, há muitos anos e, curiosamente, nunca vi outros vendedores
de rosas em mais nenhum sinal, a não ser em bares à noite, onde mulheres
enfastiadas tentam oferecer rosas à venda, e a maioria não compra.
Esse cara, não, ele não é chato, não insiste, apenas oferece a
rosa uma vez e depois segue em frente. Vejo muitas pessoas comprarem e saírem
satisfeitas.
Em sinaleiras onde acontece tanta coisa – o motoqueiro arranca o
seu retrovisor, vem um chato sujo pra limpar seu parabrisas e você pode sofrer
até um assalto -, aparece um cara vendendo rosas. Me lembro do poema de Carlos
Drummond de Andrade: “Uma flor nasceu na rua”.
Minha mãe dizia que água e conselho só se dá a quem pede. Mas vou
desobedecê-la e dar um conselho a quem cospe fogo na sinaleira ou joga três
cocos para cima: vendam rosas, talvez essa cidade fique um pouco mais feliz.
*Chico Ribeiro Neto é jornalista
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