segunda-feira, 31 de março de 2014

Rosas na sinaleira


Por Chico Ribeiro Neto*

Tem um rapaz que fica numa sinaleira da Avenida Garibaldi, perto da Ademar de Barros, há muitos anos e, curiosamente, nunca vi outros vendedores de rosas em mais nenhum sinal, a não ser em bares à noite, onde mulheres enfastiadas tentam oferecer rosas à venda, e a maioria não compra.

Esse cara, não, ele não é chato, não insiste, apenas oferece a rosa uma vez e depois segue em frente. Vejo muitas pessoas comprarem e saírem satisfeitas.

Em sinaleiras onde acontece tanta coisa – o motoqueiro arranca o seu retrovisor, vem um chato sujo pra limpar seu parabrisas e você pode sofrer até um assalto -, aparece um cara vendendo rosas. Me lembro do poema de Carlos Drummond de Andrade: “Uma flor nasceu na rua”.

Minha mãe dizia que água e conselho só se dá a quem pede. Mas vou desobedecê-la e dar um conselho a quem cospe fogo na sinaleira ou joga três cocos para cima: vendam rosas, talvez essa cidade fique um pouco mais feliz.

*Chico Ribeiro Neto é jornalista

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