sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

“...e o aço da minha pele se dissolve”, com o escritor baiano Joel Leal


À distância de um passo
seus braços
à distância de um abraço
um finito espaço
disfarço
não é fácil o fosso
não me forço
não me esforço
à distância de um passo
não faço
desfaço o laço

A lua
Faz calor na rua
Ah, e o trânsito me deixa em transe
Faz calor na rua
E a gentileza derrete no asfalto
Por um momento, passa um sopro de brisa
Nuvens dão espaço e soberana, grandiosa, docemente
A lua aparece
Por um momento, paro e só vejo a lua
Só vejo a lua
A lua. 

Joel Leal

A Soterópolis estremece



 Foto: Rita Barreto 


Minha oceânica alma transborda devaneios
Ouço eclodirem as bases e os rifss da guitarra de Pepeu Gomes
A Soterópolis estremece!
Estou inebriado na captação dos "santos" das regiões brasileiras
Ka-ópticos, tecno-ilógicos, multimidiáticos, globali(le)sados e instantâneos
Com seus ritmos da melodia baiana com o swing afro!
Zeca e Orquestra exploram, misturam, reinventam, misturam...
Maxixe, maracutu, frevo, funcky
Eu vou “No balanço das ondas do mar” com os sambas-de-roda de Hamilton Reis e Davizinho de Mutá, com o grupo Barlavento
Estou perfumado com aroma do acarajé no Rio Vermelho
Aguço minha insaciável vontade de comer a Bahia
Acarajé, abará, efó, moqueca de peixe
A Soterópolis estremece!
Mergulho nos Afoxés da Bahia
Contemplo o carnaval multicultural na cidade
Magia baiana!
Celebro Oxum, Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxalá, Iemanjá, Nanã, Iansã... 
Contemplo a geografia da baía
Suas curvas peculiares e instigantes
Escuto a ressonância e consonância do jazz com o Grupo Triat’uan composto pelo violinista e arranjador, Edu Fagundes
O violinista e saxofonista, Luciano Chaves
E do ícone da percussão mundial, Antonio da Annuciação
Vislumbro as imagens da fotógrafa Rita Barreto
Aprecio a paixão fotográfica dos irmãos Frederico Ribeiro e Diego Ribeiro
Minha delusão é na engenharia fotográfica de Sídio Júnior e Vivian Silva
No nu imagético da fotógrafa Carol Bandeira
Mergulho na versatilidade do maestro Hugo Sanbone
Desperto do torpor com o mestre da percussão Gabi Guedes
do Gantois para o mundo
A Soterópolis estremece!
Lanço-me nas poesias do Grupo Ágape
Nos versos dos peatas de HERA, documentário produzido por Fabrício Ramos e Camele Queiroz
Intriga-me o curta-metragem O Filho da Atriz pelo cineasta Juca Badaró
A Soterópolis nos arranjos com a fusão universal do guitarrista Paulo Mutti e banda
Perco-me na História e Filosofia dos problemas nos Fundamentos da Macânica Quântica pelo físico baiano Frederik Santos
As esculturas no Porto da Barra por Antonio Cezar
Ecoa na Soterópolis a perspicácia do instrumentista Petronius Bandeira
Leio e releio o livro O Tutu da Bahia pelo historiador Dilson Araújo
A Bahia acolhe a alteridade
Minha inacabada obra
Infinita...

*Antonio Nelson é jornalista. Poesia, prosa, crônica, música e sociedade.Textos à Deriva. Indicado entre os melhores da imprensa de 2010 pela Assembleia Legislativa da Bahia pelo blog Sentinelas da Liberdade. Veiculou entrevista sobre ética jornalística no Observatório da Imprensa. Atuou simultaneamente no jornalismo e na programação da Rádio Sociedade da Bahia, onde produziu entrevista inédita com Paulo Henrique Amorim para o programa Conversa Fiada - com Gill Dilon. Labutou no jornalismo da TV Itapoan/Record. Foi colaborador da revista Caros Amigos. Digita no site do jornalista Luis Nassif, e no blog Textos ao Vento – do jornalista Zeca Peixoto. É fotógrafo. É ciberativista. Natural do Recife, Pernambuco. Ama a Bahia (BA). Mora na cidade do Salvador/BA desde 05 de março de 2001. Também residiu em  Natal (RN), Maceió (AL) e Curitiba (PR). Viaja o espaço geográfico brasileiro em busca de entrevistas e reportagens através de financiamento coletivo. Colabore.