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segunda-feira, 31 de março de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
A jornalista e poetisa Daniela Souza
Poesia precisa de voz.
Precisa vazar pelos pulmões,
destravar a língua,
roçar os ouvidos
e alimentar sua vaga passagem pelo planeta Terra.
Plante hoje a poesia no poema e colha risos, lágrimas, emoções.
Sem poema e sem poesia não se faz revolução!
Poesia precisa de voz...
de vez, em vez de ler revista no banheiro
declame, reclame, entoe.
Viva a tecnologia do aparelho fonador! (Sonhador)
Dê voz as suas metáforas,
não pela fama,
não pela métrica,
mas pelo prazer do som...
...para fazer a língua gingar
e, quem sabe, o seu amor feliz
Viva o dia da poesia!
Te desejo mil palavras
E que elas inspirem não só imagens, mas mensagens de arrepiar a alma
Jornalista e poetisa - Daniela Souza
Precisa vazar pelos pulmões,
destravar a língua,
roçar os ouvidos
e alimentar sua vaga passagem pelo planeta Terra.
Plante hoje a poesia no poema e colha risos, lágrimas, emoções.
Sem poema e sem poesia não se faz revolução!
Poesia precisa de voz...
de vez, em vez de ler revista no banheiro
declame, reclame, entoe.
Viva a tecnologia do aparelho fonador! (Sonhador)
Dê voz as suas metáforas,
não pela fama,
não pela métrica,
mas pelo prazer do som...
...para fazer a língua gingar
e, quem sabe, o seu amor feliz
Viva o dia da poesia!
Te desejo mil palavras
E que elas inspirem não só imagens, mas mensagens de arrepiar a alma
Jornalista e poetisa - Daniela Souza

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
O líquido das palavras por Carla Dantas
O líquido das palavras
Aos encontros adverbiais do tempo
E aos sons incessantes que conduzem o corpo
Ao amor transeunte
e a trajetória nua
das palavras que pulsam seus líquidos
Aos poemas que vivem
de nascimentos
Tornam-se
a cada verso e
escorrem das minhas páginas
Aos portais escondidos no fim do olho
Às palavras que me seduzem ao poema
Aos poros que trazem notícias de mim
A tudo que finda
e às condições etéreas do tempo
À possibilidade caleidoscópica das coisas
aquarelar seus vazios
entoar a miudeza das cores
atingir cada sílaba
desobedecer
Tudo tão distante
Tudo tão próximo
Tudo tão cheio de azul
carla dantas

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
A poesia de Carla Dantas
Caminhos
Essa é uma palavra que me arrebata
Absorve
Há aqueles que não precisam de pés (visíveis)
Há caminhos invisíveis no corpo
Há objetos que falam por si
Há momentos já vividos
Essa é uma palavra que aquece
Rastreia
Há caminhos na pele
Há aqueles estreitos
cortantes
que desenham os próximos passos
Há caminhos que abrem portais
e veem além do olho
carla dantas
Essa é uma palavra que me arrebata
Absorve
Há aqueles que não precisam de pés (visíveis)
Há caminhos invisíveis no corpo
Há objetos que falam por si
Há momentos já vividos
Essa é uma palavra que aquece
Rastreia
Há caminhos na pele
Há aqueles estreitos
cortantes
que desenham os próximos passos
Há caminhos que abrem portais
e veem além do olho
carla dantas

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
A poética baiana “hera” com os cineastas Fabrício Ramos e Camele Queiroz
Fabrício Ramos tem graduação em Comunicação Audiovisual pela UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia). Camele Queiroz é graduada em Comunicação com habilitação em Comunicação e Cultura na FACOM/UFBA). Fabrício e Camele pulverizam através da plataforma online, a produção poética/audiovisual “hera”. Confira!
Antonio Nelson – Como foi sua infância literária, e a descoberta com a produção audiovisual?
Fabrício Ramos - Meus pais sempre estimularam a leitura em casa, desde pequeno, eu passeava muito pela estante de livros de meu pai. Durante a faculdade de comunicação, sob o estímulo de alguns amigos, acabei realizando um documentário sobre diversidade religiosa em Ilhéus, registrando a repercussão das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e do bispo emérito de Ilhéus, ambos muito populares e queridos na cidade. O processo de fazer o doc, que pra mim era novo e totalmente experimental, me fez querer entender as coisas expressando-as através dos sujeitos dos quais eu me aproximava com a câmera e com a minha visão de mundo. O doc “hera” também reflete essa vontade de descoberta, aproximação e entendimento do outro, para fazer gerar em mim uma visão autoral.
Camele Lyra Queiroz - Minha infância literária foi bem divertida. Teve muita leitura dos Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a poesia era muito presente, era uma coisa bem comum no dia a dia. A descoberta do audiovisual aconteceu na faculdade de comunicação. Foi como perceber uma brecha no academicismo que me possibilitou utilizar alguns conhecimentos que acessei durante a faculdade, porém não para reafirmar a tese de um ou de outro teórico, mas apenas para tratar de coisas que tenho interesse e que julgo terem alguma importância ou valor cultural. Outro dado importante foi o contato com a história do cinema de Retomada, que me fez enxergar que temos um estilo próprio de contar nossas histórias, de representar as nossas realidades. Isso nos deixa mais a vontade para criarmos com aquilo que temos, sem precisar seguir modelos ou padrões ditados pelo que é mais difundido.
Antonio Nelson – E o contato com a poesia! Tem algum poeta na família?
Fabrício Ramos – Não tenho familiares próximos que são poetas, mas sempre quis escrever poesia: nunca consegui! Escrevia versos íntimos na adolescência para jogá-los fora e durante a faculdade formávamos um grupo que se reunia eventualmente para ler e compor poemas. Decidi que lido muito melhor com a poesia lendo-a e apreciando-a do que criando, mas estou sempre próximo dela.
Camele Lyra Queiroz - Meu contato com a poesia e com a arte foi desde sempre. Meu pai é poeta e sempre conviveu muito com artistas plásticos e outros poetas. Isso criou um ambiente muito interessante pra mim porque a arte estava sempre muito presente e eu me divertia muito com isso tudo.
Foto: Wagner Pyter
Fabrício Ramos – Desde que eu e Camele criamos o Bahiadoc – arte documento, há menos de um ano, é certo, decidimos ficar mais atentos e buscar dar alguma ressonância aos contextos culturais baianos, muitas vezes substanciais mas pouco mencionados e mesmo pouco conhecidos, sobretudo das novas gerações. Trata-se de um tema de relevância histórica a julgar pela reverberação que os poetas alcançaram na Bahia e mesmo no Brasil, e o doc alia uma oportunidade inestimável de resgatar um importante capítulo da cultura literária baiana com o nosso escopo de exercitar o que chamamos de arte documento, conceito que orienta o Bahiadoc, isto é, captar o aspecto documental da arte, através da própria arte, valorizando os cenários baianos e a produção audiovisual independente.
Camele Lyra Queiroz - A ideia surgiu a partir do convite de um dos poetas para que o Bahiadoc – arte documento(sítio do qual sou idealizadora e editora junto com Fabrício Ramos) registrasse o lançamento da edição fac-similar da Revista Hera, evento que aconteceu em dezembro de 2011. Depois de algumas conversas com o poeta, eu e Fabricio, já seduzidos pelos elementos que compunham a formação daquele grupo de poetas, chegamos à conclusão de que um evento de lançamento não daria conta de representar todo aquele universo criativo que possibilitou a convivência de pessoas tão diferentes e tão comprometidas com o fazer poético. O registro se deu não na tentativa de uma inovação da linguagem audiovisual, mas antes no reconhecimento da substância daqueles que são os personagens do documentário, que são os poetas e a suas vivências através da poesia.
Antonio Nelson - Quais foram os maiores desafios na produção do documentário?
Fabrício ramos – Um dos grandes desafios do documentário, conceitualmente, era o enfrentamento, no bom sentido, com os poetas. Lemos muito de suas produções na edição especial fac-similar da revista Hera, volume que reúne todos os números da revista publicados ao longo de 33 anos. Percebemos, do nosso lugar de leitores, uma rica substância poética na obra, e que também foi apontada por críticos importantes. Assim, o desafio maior foi, nessa aproximação com os poetas, conseguir extrair dos nossos encontros toda a dimensão poética que as suas criações e vivências revelam. Em termos práticos, o desafio foi viabilizar o doc sem patrocínios. Sempre salientamos a importância e a imprescindibilidade das políticas públicas de estímulo à produção audiovisual de relevância cultural, ao mesmo tempo que sempre ousaremos experimentar modelos alternativos de viabilização das produções. Se fizemos o doc “hera” sem patrocínio, sabíamos das limitações estruturais que poderiam refletir no resultado final (por ex, com maior estrutura, poderíamos ter mais tempo com os poetas, maior tranquilidade para pesquisa e filmagens etc). Mas também sabíamos que, considerando o propósito maior de cada produção audiovisual, seria possível realizar um registro simbólico coerente, embora não realizado em toda sua plenitude, em todo o seu potencial em vários aspectos. Decidimos fazer a exibição especial para os poetas e aberta ao público interessado porque julgamos, de nossa ótica de realizadores, que os próprios poetas (suas falas e presenças), como sujeitos do doc, constituem a qualidade de seu conteúdo. A nós, autores, couberam apenas a grata missão de construir uma mensagem, da forma que nos foi possível, a partir dos encontros com os poetas e que fosse o mais possível fiel à dimensão da experiência.
Camele Lyra Queiroz - A produção independente é sempre um grande desafio, principalmente quando se trata da produção audiovisual, por envolver alguns elementos técnicos estruturais que são condição sine qua non para uma realização satisfatória. No nosso caso, de agentes culturais independentes, que nos lançamos nessa ideia de realizar o doc sem aporte de patrocínio e sem nenhum tipo de financiamento, a vontade de realizar é que foi o motor. Lançamos mão do NAP (Núcleo de Apoio à Produção) da DIMAS, para conseguir os equipamentos. Fora isso, tínhamos que ir à Feira de Santana entrevistar os poetas, não tínhamos um carro disponível e foi preciso alugar um carro para suprir essa demanda, já que os equipamentos não podiam ser transportados de ônibus. É uma condição do termo de uso dos equipamentos, que são caros. Fora isso ainda tivemos alguns percalços na hora da edição – tivemos que empreender grandes esforços para conseguir editar o vídeo de forma adequada tanto à qualidade das imagens (FullHD) quanto a busca do resultado que queríamos enquanto realizadores. No final das contas o que se tem é um documentário de 1h25min com boa qualidade de imagem, e relevante conteúdo proporcionado pelos próprios poetas, não obstante as dificuldades estruturais para a sua realização.
FICHA TÉCNICA:
hera (documentário)
Direção: Fabrício Ramos e Camele Lyra Queiroz
Produção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Câmera: Ivanildo Santos Silva e Danilo Umbelino
Assistente de câmera: Danilo Umbelino
Edição, montagem e finalização: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Realização: Bahiadoc – arte documento
documentário - cor – 1h23min – 2012 – HD
*Antonio Nelson é jornalista. Poesia,
prosa, crônica, música e sociedade. Textos à Deriva. Indicado entre os melhores da imprensa de 2010 pela Assembleia
Legislativa da Bahia pelo blog Sentinelas da Liberdade. Veiculou entrevista
sobre ética jornalística no Observatório da Imprensa. Atuou
simultaneamente no jornalismo e na programação da Rádio Sociedade da Bahia,
onde produziu entrevista inédita com Paulo Henrique Amorim para o programa Conversa
Fiada - com Gill Dilon. Labutou no jornalismo da TV Itapoan/Record. Foi
colaborador da revista Caros Amigos. Digita
no site do jornalista Luis Nassif, e no blog Textos ao Vento – do
jornalista Zeca Peixoto. É fotógrafo. É ciberativista. Natural do Recife, Pernambuco. Ama a Bahia(BA). Mora na cidade do Salvador/BA desde 05 de março de
2001. Também residiu em Natal (RN), Maceió (AL) e Curitiba (PR). Viaja o espaço
geográfico brasileiro em busca de entrevistas e reportagens através de financiamento coletivo.
Colabore.
Um poema do jornalista e cineasta Juca Badaró
"Me lanço nesta cidade que não perdoa.
Observo os dias e as coisas que moram neles. Coisas de gente, coisas de bicho.
Coisas estranhas.
Eu mesma sou coisa estranha neste lugar.
Escondo minha boca seca, separo as minhas partes e as reconstruo a cada dia.
Na peleja urbana e fictícia que inventei pra mim, brinco de soldado sem fuzil e morro na primeira trincheira do dia.
E com muita sorte posso dormir à noite sem sobressaltos.
Sem dor nós pés.
Contam, por aqui, de um homem que se entregou assim.
Da mesma forma que às vezes pareço sucumbir.
Foi aumentando os espaços vazios de casa e cada vez se identificando menos.
Frágil, perambulava em autocarros coloridos e fingia ser um cidadão comum.
Até que o dia levava a luz e o calor, mas o deixava numa rua familiar, perto de casa.
Voltava sorrindo...mentindo pra quem?
E fui assim andando com muito medo dessa história.
Com receio dessa transformação dentro de mim.
A cidade continuava não me perdoando, mas aos poucos eu a compreendia.
Ou pelo menos procurava compreender.
Especialmente aos seres que a habitavam. Não só sua língua nos distanciava.
Mas a sua voz, o seu tempo, sua verdade, seu segredo, sua sorte.
Minha sorte.
Naquele dia que amanheceu menos amargo, pude saber dos teus encantos.
E num ímpeto involuntário, procurei preservar aquelas sensações em minha carne. Viva.
E continuei assim por não sei quanto tempo.
A cada hora querendo sepultar o meu dia e cada noite desenterrando a memória".
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
“...e o aço da minha pele se dissolve”, com o escritor baiano Joel Leal
À distância de um passo
seus braços
à distância de um abraço
um finito espaço
disfarço
não é fácil o fosso
não me forço
não me esforço
à distância de um passo
não faço
desfaço o laço
A lua
Faz calor na rua
Ah, e o trânsito me deixa em transe
Faz calor na rua
E a gentileza derrete no asfalto
Por um momento, passa um sopro de brisa
Nuvens dão espaço e soberana, grandiosa, docemente
A lua aparece
Por um momento, paro e só vejo a lua
Só vejo a lua
A lua.
Joel Leal
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